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Fluxos financeiros ilícitos e economias ilegais: Prioridades para uma agenda regional

8 de setembro de 2026 | Atividade

Crédito da fotografia: CEPAL e UNODC

Os fluxos financeiros ilícitos e as economias ilegais representam um desafio crescente para o desenvolvimento, a segurança e a governança democrática na América Latina e no Caribe. A expansão das redes criminosas transnacionais e sua inserção em setores da economia formal afetam as finanças públicas, a atividade econômica e a confiança nas instituições, exigindo respostas que ultrapassem abordagens exclusivamente setoriais.

Esses desafios estiveram no centro do seminário Fluxos financeiros ilícitos e economias ilegais: Desafios para uma agenda de cooperação interinstitucional, realizado nos dias 8 e 9 de setembro, em Santiago, pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Para contextualizar o debate, representantes das duas organizações compartilharam resultados preliminares de um trabalho conjunto em andamento, destinado a compreender melhor a dimensão e os impactos das economias criminosas na América Latina e no Caribe. As estimativas disponíveis situam a lavagem de dinheiro entre 2% e 5% do PIB regional, enquanto a economia criminosa poderia representar entre 11% e 14% do PIB. Esses dados levantam questões fundamentais sobre a relação entre o crescimento econômico na região e a expansão das atividades ilícitas, bem como sobre a crescente interação entre as economias formal, informal e criminosa.

Durante sua apresentação, Francesco Forgione, ex-parlamentar italiano e ex-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Máfia, destacou que o crime organizado pode ir além da prática de delitos e constituir um sistema de poder capaz de controlar territórios, inserir-se em circuitos econômicos legais e assumir funções que cabem ao Estado. Também ressaltou a importância de fortalecer instrumentos como a extinção de domínio, entendida não apenas como uma medida penal, mas também preventiva, destinada a privar as organizações criminosas dos recursos que sustentam suas operações e seu poder. Forgione compartilhou ainda a experiência italiana de reutilização social de bens confiscados da máfia, vigente desde 1996, que transforma propriedades obtidas de forma ilícita em recursos comunitários e educacionais para devolvê-los à sociedade.

Por sua vez, o Senador Iván Flores García (Chile), Presidente do ParlAmericas, contribuiu com uma perspectiva parlamentar e regional sobre o crime organizado transnacional e as oportunidades para fortalecer a cooperação entre instituições e países, enfatizando o papel do sistema interamericano na coordenação de respostas eficazes. O Senador destacou a necessidade de eliminar lacunas regulatórias e de cooperação exploradas por redes transnacionais, e de enfrentar os desafios emergentes associados ao uso crescente de novas tecnologias pelas organizações criminosas. Entre essas tecnologias estão os criptoativos e sistemas financeiros digitais, as ferramentas de inteligência artificial e as novas modalidades de falsificação de documentos, que ampliam a capacidade desses grupos de ocultar recursos, operar além das fronteiras e evitar mecanismos de supervisão e controle.

Durante sua intervenção, o Senador Flores reafirmou que esses desafios fazem parte do trabalho da Rede Parlamentar de Segurança do ParlAmericas e de seu roteiro, estabelecido em 2025,com foco em segurança humana e cooperação regional. Ele também observou que os fluxos financeiros ilícitos serão abordados no Segundo Encontro da Rede Parlamentar de Segurança, que será realizado em Valparaíso, Chile, em outubro. O encontro aprofundará o diálogo sobre o papel da ação parlamentar no fortalecimento de políticas eficazes de segurança pública, em conformidade com o Estado de direito, os direitos humanos e a proteção das pessoas e comunidades.

Crédito da fotografia: CEPAL e UNODC