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Fortalecendo a cooperação e a confiança na saúde pública: diálogo entre o ParlAmericas e a OPAS

28 de abril de 2026 | Atividade

Em um contexto em que a confiança nos sistemas de saúde enfrenta crescentes desafios e as problemáticas sanitárias na região se tornam cada vez mais complexas, fortalecer a cooperação entre formuladores de políticas públicas e instituições de saúde é fundamental. Nesse sentido, o ParlAmericas promoveu um diálogo entre a Seção Canadense do ParlAmericas (CPAM) e o Dr. Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), para intercambiar perspectivas sobre prioridades urgentes de saúde pública nas Américas e no Caribe.

As discussões destacaram a importância de reconstruir a confiança nos sistemas de vacinação, especialmente após a pandemia de COVID-19. O Dr. Barbosa observou que, embora a cobertura vacinal tenha começado a recuperar níveis pré-pandêmicos, ainda permanece abaixo do patamar necessário para eliminar doenças evitáveis, enfatizando que alcançar ao menos 95% de cobertura em todas as comunidades é essencial. Ressaltou ainda que a hesitação em vacinar frequentemente não decorre de rejeição absoluta, mas de incertezas, o que reforça a necessidade de maior engajamento dos profissionais de saúde para ouvir as preocupações da população e comunicar-se com clareza. As e os participantes refletiram sobre as implicações mais amplas da queda de confiança nas instituições públicas e sobre a necessidade de respostas coordenadas que reforcem a vacinação como uma responsabilidade tanto individual quanto coletiva.

O diálogo também evidenciou a persistência de desafios estruturais na área da saúde na região, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. A partir da intervenção da senadora canadense de origem haitiana Suze Youance, o Diretor da OPAS destacou a presença contínua da organização no Haiti, incluindo o apoio à distribuição de vacinas e, em circunstâncias excepcionais, a gestão direta de unidades de saúde. De forma mais ampla, vêm sendo implementadas abordagens inovadoras em diferentes países, como unidades móveis de diagnóstico que permitem realizar testes e oferecer tratamento imediato em comunidades remotas ou com acesso limitado, além de esforços contínuos para combater a malária e reduzir lacunas na cobertura vacinal. Essas experiências ressaltam a importância de uma cooperação internacional sustentada e de respostas institucionais flexíveis em contextos frágeis.

As e os participantes também exploraram as oportunidades e os desafios associados à integração de tecnologias emergentes nos sistemas de saúde. Moderada pela deputada Patricia Lattanzio, presidenta da CPAM, a discussão analisou como ferramentas como a inteligência artificial e os diagnósticos móveis estão ampliando o acesso aos serviços de saúde, especialmente para populações de difícil alcance. Destacou-se a importância de marcos éticos robustos e de garantir que a inovação tecnológica permaneça orientada pela supervisão humana e pela confiança pública. Entre os exemplos apresentados, mencionou-se o uso de imagens assistidas por inteligência artificial para a detecção de tuberculose em ambientes de alto risco, demonstrando como a inovação pode apoiar intervenções mais direcionadas e eficazes, com efeitos positivos em cadeia para a sociedade.

A discussão também abordou a evolução do cenário da cooperação global em saúde, incluindo o impacto da redução do financiamento internacional sobre os sistemas de saúde nas Américas. Observa-se uma pressão crescente sobre a cooperação técnica e os programas de eliminação de doenças, particularmente na prevenção da disseminação do HIV, da tuberculose e da malária, áreas em que a manutenção dos avanços requer um renovado compromisso dos parceiros internacionais. Nesse contexto, a OPAS destacou o papel de países como o Canadá — atualmente o maior contribuinte voluntário da organização — no apoio às iniciativas regionais de saúde, bem como a importância da transparência e da prestação de contas para manter a confiança dos doadores.

Este diálogo integra o trabalho contínuo do ParlAmericas para fortalecer o engajamento parlamentar em temas de saúde e desenvolvimento social em todo o hemisfério. Como instituição interparlamentar do sistema interamericano, o ParlAmericas promove intercâmbios entre legisladoras, legisladores e organismos internacionais, contribuindo para a tomada de decisões informadas e para a cooperação regional diante de desafios compartilhados.

Ao fomentar o diálogo sobre prioridades de saúde pública, esse intercâmbio contribui para esforços mais amplos voltados ao fortalecimento de sistemas de saúde resilientes, inclusivos e capazes de responder às necessidades da população nas Américas. Olhando para o futuro, a colaboração contínua entre parlamentos e instituições regionais será essencial para enfrentar riscos sanitários emergentes, reforçar a confiança pública e promover o bem-estar coletivo em toda a região.