Home › Notícias recentes › 2026 › Fortalecer a autonomia econômica das mulheres: Perspectivas da América Latina sobre uma agenda urgente

Fortalecer a autonomia econômica das mulheres: Perspectivas da América Latina sobre uma agenda urgente

7 de outubro de 2026 | Atividade

A autonomia econômica das mulheres constitui uma condição essencial para o pleno exercício de seus direitos e para a construção de sociedades mais igualitárias, inclusivas e prósperas. Mas não se trata apenas de uma questão de equidade: promover a plena participação das mulheres no mercado de trabalho e ampliar suas oportunidades de acesso tem um efeito dinamizador na economia e contribui para o desenvolvimento e a prosperidade compartilhada.

No entanto, na América Latina, a agenda dos direitos econômicos continua sendo uma das que mais apresentam atrasos em matéria de igualdade de gênero. Apesar dos esforços e avanços registrados, persistem na região barreiras estruturais que limitam a participação das mulheres na vida econômica, particularmente no que diz respeito à organização social dos cuidados, ao acesso e controle dos recursos financeiros e à sua inclusão no mercado de trabalho.

Reconhecendo o papel essencial desempenhado pelos parlamentos na transformação dessa realidade, o ParlAmericas e a Comissão Interamericana de Mulheres da Organização dos Estados Americanos (CIM/OEA) convocaram legisladoras e legisladores latino-americanos a participar da reunião “Promovendo os Direitos Econômicos das Mulheres na América Latina”, com o objetivo de impulsionar uma agenda parlamentar voltada para garantir esses direitos, ampliar oportunidades e compartilhar ferramentas legislativas, tais como as leis-modelo interamericanas, bem como experiências e estratégias para a ação em nível nacional.

Durante a reunião, a Deputada Antares Vázquez Alatorre, do México, Presidenta da Rede Parlamentar para a Igualdade de Gênero da ParlAmericas, e Mónica Xavier, Diretora do Instituto Nacional das Mulheres do Uruguai e Presidenta da CIM/OEA, destacaram o papel dos parlamentos na tradução dos compromissos assumidos internacionalmente em matéria de igualdade em ações concretas em nível nacional.

Em uma entrevista moderada pela Senadora colombiana Jennifer Pedraza, a Secretária Executiva da CIM/OEA, Alejandra Mora Mora, compartilhou recomendações para oferecer apoio técnico ao trabalho voltado à garantia dos direitos econômicos das mulheres, incluindo os pontos-chave das leis-modelo interamericanas de inclusão no mercado de trabalho e promoção do empreendedorismo e da atividade empresarial, inclusão financeira e de cuidados.

Durante o diálogo parlamentar, legisladoras da Colômbia, El Salvador, Equador, Honduras, Peru, Panamá e República Dominicana compartilharam iniciativas específicas que estão avançando em nível nacional, incluindo marcos normativos para a criação de sistemas nacionais de cuidados baseados na corresponsabilidade, iniciativas de inclusão financeira e no mercado de trabalho, subsídios, acesso ao crédito e incentivos específicos para as atividades econômicas lideradas por mulheres rurais, alfabetização digital e promoção da participação de meninas e jovens em cursos relacionados às áreas de CTIM, entre outras linhas de trabalho.

Além disso, elas refletiram sobre as diversas realidades das mulheres na região, adotando uma perspectiva interseccional para abordar — com base em dados quantitativos e qualitativos — a necessidade de elaborar medidas concretas para garantir seus direitos econômicos. Nesse sentido, as legisladoras compartilharam experiências e estratégias para a construção de consensos com o objetivo de promover a autonomia econômica das mulheres, incluindo o trabalho com colegas parlamentares do sexo masculino, a criação e o fortalecimento de parcerias público-privadas e as negociações com organizações sindicais, entre outros atores.

O intercâmbio de experiências nacionais, bem como as ferramentas criadas no âmbito do sistema interamericano e compartilhadas durante a sessão, permitiram fortalecer as capacidades para continuar elaborando respostas legislativas em matéria de direitos econômicos das mulheres a partir de uma perspectiva integral, com estratégias e abordagens adaptadas às diferentes realidades dos países e acompanhadas dos recursos e da supervisão necessários para sua implementação efetiva.

Esta atividade foi realizada com o apoio do Governo do Canadá, por meio do Ministério de Assuntos Globais do Canadá.